O PARTIDO SOCIALISTA DE SALVATERRA PERDEU UMA EXCELENTE OPORTUNIDADE POLÍTICA Na altura em que escrevo este artigo de opinião, deve estar a ter lugar na sede do Partido Socialista, em Salvaterra de Magos, mais uma Reunião da Coordenação de Campanha do partido para as próximas eleições autárquicas, que vão ter lugar em Outubro. Umas eleições onde o Partido Socialista tinha todas as condições - ou deveria ter! - para apresentar um cabeça de lista mais forte e com mais experiência do que o deputado Nuno Antão. Umas eleições onde o Partido Socialista - se fizesse as coisas como devia ser! - podia afirmar-se junto do eleitorado como uma alternativa ao Bloco de Esquerda (BE). Umas eleições onde o Partido Socialista - se quisesse! - podia tirar a maioria absoluta a Ana Cristina Pardal Ribeiro. O problema é que a Comissão Política do Partido Socialista em Salvaterra de Magos optou por fazer outras opções, não quis ouvir os militantes de base, afastou alguns simpatizantes e não fez os trabalhos como chegaram a ser falados. Não se fez o estudo de opinião, adiaram-se as sondagens, criaram-se ilusões a algumas pessoas e no fim foi aquilo que se viu: votou-se no Nuno Antão para cabeça de lista. A seguir, alguns servilistas quiseram passar a ideia que ao apresentar Nuno Antão como o candidato do PS, nas próximas eleições autárquicas, o partido estava a iniciar um novo ciclo. Um processo de Renovação a sério. A entrada de sangue novo na vida política. Que estava encontrado um novo dinamismo partidário, forte e inovador. Que com Nuno Antão, o Partido Socialista em Salvaterra de Magos ganhava outra dimensão e um outro alento. Que os militantes passavam a ter os olhos postos no Futuro e a ter ideias mais claras. Que com o Nuno Antão o PS irá ter um outro RUMO. Que o concelho de Salvaterra de Magos vai ter um outro RUMO. Não é estar a agoirar a candidatura de Nuno Antão nem a desejar-lhe um mau resultado eleitoral. Mas tal como tive oportunidade de lhe dizer pessoalmente pelo telefone, quatro semanas antes da votação da Comissão Política Concelhia, entendo que ele NUNCA DEVERIA TER ACEITE SER O CABEÇA DE LISTA. Isto porque não era o "timing" exacto para ele ser o candidato. Mas tudo bem. Decidiram assim está decidido. Espero que o Nuno Antão consiga obter um bom resultado eleitoral, mas tudo leva a crer que o RUMO do Partido Socialista, desta vez, vai ser a desmobilização total. Só espero que o mês de Outubro me prove exactamente o contrário e demonstre que eu (e outros camaradas!) estávamos enganados. Perdeu-se uma excelente oportunidade de fazer frente ao Bloco de Esquerda. Acabou por vencer a ganância política. Paciência... José Peixe |
TECTO DA ESCOLA DO GRANHO DESABA
Esta manhã, o meu pequeno-almoço foi servido com uma dose extra de «adrenalina». No «Diário da Manhã», na TVI, vi uma notícia que, julgo, terá passado nos serviços noticiosos durante o dia de ontem, 3ª feira. A saber: o tecto da Escola Primária do Granho desabou, durante a noite. Um forte arrepio percorreu o meu corpo, só de saber que a tragédia foi evitada por milagre.
A carga sinuosa da notícia ficou assim atenuada por este aspecto particular: é que a ocorrência não se deu à luz do dia. A imagem de ver um tecto a desabar com dezenas de crianças enfiadas no numa sala de 4 paredes é assustadora.
Antes de relegar responsabilidades para quem quer que seja, fiquei sensibilizado por ver que o Presidente da Junta de Freguesia do Granho ficou de fora da reportagem da TVI. Em vez disso, vimos e ouvimos as declarações de José Maria, o candidato que nas últimas autárquicas alinhou pelas cores do PSD. E que, na mesma reportagem, foi identificado em oráculo como «Junta de Freguesia do Granho» (será um presságio?!). Segundo José Maria, não existiam quaisquer indícios de que tal viesse a suceder, uma vez que não se viam rachas nos tectos nem nas paredes.
Primeiro ponto: quando foi a última intervenção, a nível de obras, na Escola Primária? Alguém estará, porventura, recordado?! Algo está mal...
Segundo ponto: o facto de não haver registos de vítimas, justifica que todos fiquem ilesos do sucedido? Ou haverá coragem suficiente para pedir responsabilidades a quem de direito?
Terceiro ponto: até quando é que os Presidentes de Junta vão continuar a encarar o seu cargo como sendo algo em «part time», em detrimento de outros afazeres profissionais que colocam em primeiro plano?
Já era altura dos políticos (mesmo os que, hierarquicamente, desempenham funções menores) tomarem consciência que não foram eleitos por mero acaso.
A eleição dos Presidentes de Junta não serve apenas de instrumento para conquistar maiorias absolutas. O sentido de responsabilidade e a disponibilidade total para ocupar o cargo, com o devido profissionalismo, deveriam ser tomados em conta por quem dá a cara pelo poder local.
Infelizmente, não é o que temos visto.
Abílio Ribeiro